Friday, March 6, 2015

O fermento químico é transgênico! E agora?

.pobre bolo.

O fermento químico tem a função de fazer teu bolo crescer e ficar mais fofinho, além de deixar teus biscoitinhos mais aerados. Em algumas receitas é possível substituir simplesmente por bicarbonato  e outras somente usar clara em neve, como no pão de ló, mas algumas pedem uma ajudinha maior. Se você não come bolos, ótimo, já pode parar de ler, rs.



O fato é que tá tudo liberado.
Infelizmente o governo permite o uso de transgênicos na produção agrícola do país, veja esta entrevista,  e o consumidor que quer evitar o consumo tem o dever de ler os rótulos e deixar de comer aquele bolo na casa da tia, principalmente o de fubá. A grande maioria dos produtos derivados do milho são transgênicos, observe este símbolo nos rótulos brasileiros que alegam o uso de OGM:



Os fermentos químicos, usados para bolo, são quase todos transgênicos no Brasil. Dr. Oetker, Fleshman, Royal e Dona Benta. Mas porque? Pois  a composição usa amido de milho transgênico.

O ano passado comprei durante uma viagem este fermento:





É orgânico e em sua composição levam 3 ingredientes: suco de uva concentrado (cremor de tártaro), amido de milho orgânico e bicarbonato de sódio. É simples.

Por aqui nenhuma empresa decidiu fabricar, mas se você gosta de fazer bolos não se preocupe! É possível preparar o próprio fermento em casa e é muito muito fácil e barato, basta misturar:

2 partes de cremor de tártaro
1 parte de bicarbonato de sódio
1 parte de amido (pode ser de milho não trangênico, polvilho doce, fécula de batata...)

Misture bem, guarde em um potinho de vidro e use normalmente.

Atenção! Se você for misturar e usar na hora não precisa o polvilho. O amido é só para evitar que a umidade prejudique o fermento enquanto estiver guardado.

O cremor de tártaro você encontra em lojas de confeitaria, não fique com medo do nome, ele é apenas um subproduto que sobra do mosto da uva durante a produção de vinho. Legal né?

Quando usei este fermento da foto pela primeira vez preparei um bolo para levar na casa dos amigos Huan e Maria. Fazia um tempo que uma farinha de castanha portuguesa se acomodava na cozinha, estava ali aguardando seu Grande dia.

Fiz um bolo de castanha portuguesa e só, um pão de ló fofinho que não levou trigo, mas somente a farinha de castanha.


Esta farinha minha mãe trouxe da última vez que ela esteve em Haute de Provence, região onde acontece a colheita da lavanda, oh yes! A farinha estava aromatizada naturalmente com lavandas. O bolo ficou divino e bem docinho, afinal a castanha é doce e eu ainda usei mascavo.

























Já adianto que é um bolo doce, uma pequena fatia já satisfaz, é fofo demais.
A fórmula dele é extremamente simples:

Bolo de castanha portuguesa
.sem glúten.

150g farinha de castanha portuguesa
5 un ovo caipira de verdade
1 1/2 xícara de mascavo
1 colher de chá de fermento

1. Aqueça o forno a 180 graus. Bata o mascavo com os ovos na batedeira, usando o globo, até ficar bem fofo.
2. Com uma espátula tipo pão duro incorpore a farinha e o fermento aos poucos, mexendo delicadamente para não perder a aeração.
3. Coloque em forma untada e asse até dourar ou um palitinho sair limpo.
4. Coloque a cobertura de sua preferência.

Tuesday, February 24, 2015

Suco verde escuro

.herbal experience.


O suco verde escuro rendeu dois copos, um pra mim e outro pra ele. Já estou com saudade.

3 pêras maduras
1 punhado de menta fresca
1 punhado de hortelã fresca [elas são irmãs, mas são diferentes] 
1 bom punhado de salsinha fresca
1/2 xícara de água ou 1 pepino para "pilar"

Ficou delícia.




Monday, February 23, 2015

Aulas de cozinha vegetariana

.ervas e afins.

No próximo final de semana acontecem 2 encontros culinários, uma aula que vira jantar e outra que se transforma em um delicioso almoço.

A primeira aula é a Cozinha Herbal, sábado, dia 28.02:




Na cozinha Herbal vamos conhecer algumas ervas e conversar sobre seu amplo uso na culinária, além de elaborar deliciosos pratos. Serão abordadas algumas técnicas culinárias da cozinha clássica e a aula é prática!
No final desfrutamos de um aromático jantar, as receitas não levam nenhum ingrediente de origem animal, é vegan.  Uma experiência culinária saudável e aberta para a troca de conhecimentos práticos em volta da boa mesa.
A aula inicia  16:00 e finaliza por volta de 21:30, se morar em outra cidade e for preciso pernoitar posso indicar algumas opções na região.

+ info: pratopapel@gmail.com


A aula do sábado é durante o dia e foi preparada para mexer com a tua criatividade na cozinha:




Esta deliciosa aula é focada na elaboração de cardápios onde será trabalhada a harmonia de um menu através de uma proposta em grupo. É um encontro para estimular a criação, integração e equilíbrio. Recomendada para aqueles que já cozinham mas sentem a necessidade de equilibrar a seleção dos pratos. A aula é prática e vamos preparar um delicioso almoço.
Data: 01.03 - domingo -
Horário: 10:00 - 15:30


São dois encontros elaborados para aprender, praticar e compartilhar sobre este maravilhoso universo que é  a cozinha.

+ informações pratopapel@gmail.com ou 1 997941362

Sunday, February 1, 2015

Quando o lixo é um luxo

.relatos de um lixo caseiro.

Hoje a receita é de lixo, quer aprender a fazer uma composteira? Vou te contar como fizemos uma em casa.




Sempre separamos o lixo orgânico da cozinha mas o sistema não era tão fluído, um balde grande armazenava o lixo orgânico e quando enchia ia para as profundezas da horta. Algumas vezes chovia e o balde ficava ali cheio esperando seu dia. Em maio de 2012 eu e o Reinaldo fizemos uma composteira que esta ativa até hoje, ela trouxe um sistema mais orgânico e acabou beneficiando de forma prática todo o sistema entre a cozinha e o jardim:

cozinha -> lixo -> composteira ->  decomposição -> nutrição do jardim



É  uma composteira selvagem, tem uma arquitetura super simples, é bem prática de fazer e interage com o meio. Usamos tábuas usadas que tinha em casa, pregos e uma tela de galinheiro, observe o desenho:




Optamos por fazer 2 composteiras porque enquanto  uma esta se decompondo temos outra para nosso composto.

Local
O primeiro passo, depois do desenho, é escolher o local que você vai construir sua composteira. É preciso ser próximo a cozinha para não dar preguiça de levar todos os dias e ao mesmo tempo ter uma distância considerável, afinal os restos de alimentos  sempre acabam atraindo um animal ou outro, a natureza é selvagem.

Estrutura
Para 1 composteira serão usadas 4 tábuas como alicerce, como fizemos 2 encostadas usamos 6 e com 3 usaria apenas 8. Se for um restaurante você vai precisar de muitas, pois uma cozinha comercial produz muito lixo. Restaurantes são grandes geradores de lixo, além de comida ir para o saco preto vão resíduos orgânicos e embalagens de todo o tipo. Mas vamos a composteira!


As tábuas são fixadas no solo, que deve ser de terra, e a tela é prendida com arame, não tem segredo.




Optei por usar a tela de arame pela praticidade pois tive que pedir ajuda na hora de cortar a madeira e não quis complicar. Se você tem tempo e habilidades o ideal é construir uma composteira com paredes de madeira, principalmente se você tem um peludo em casa. O Mandioquinha fez um furo na composteira com a ajuda de alguns amigos pois  durante a noite  esquilos, raposa, gambás e outros acabam dando uma fuçada. Por este motivo hoje a composteira tem um remendo:



Assim que você tem a composteira o sistema  é  bem fácil de viver. Basta jogar o teu lixo orgânico e em seguida cobrir com folhas, grama que sobrou de poda, palha ou o que for produzido de forma orgânica em teu quintal. Nesta composteira você não precisa se preocupar com o chorume, um líquido proveniente da fermentação, pois ela esta em contato com a terra e respira perfeitamente.

Enche o lixinho orgânico na tua cozinha -> caminha até sua composteira -> joga o lixo -> cobre com matéria orgânica seca -> lava teu lixinho -> devolve teu lixo vazio e limpo na cozinha

Após 3 meses, aproximadamente, você já pode usar este composto para adubar tua horta, agrofloresta, jardim, canteiros e vasos.
Se você encher a composteira com grama cortada ajuda. Para jogar o lixo orgânico é só abrir um buraco naquele fofo de grama com um galho, jogar o lixo, e fechar o buraco com a grama. Mas só funciona quando tem resto de poda.  Em casa não cobrimos o lixo pois ele fica embaixo de uma árvore que acaba protegendo da chuva forte, mas cobrir com lona é uma boa opção.


Mas o que eu posso jogar na composteira? Basicamente restos de alimentos saudáveis, seguem sugestões de links que aprofundam esta parte:

• http://eartheasy.com/grow_compost.html
• http://www.compostinstructions.com/what-you-can-and-cannot-compost/
• http://www.casologica.com.br/at/index.php?option=com_content&view=article&id=15&Itemid=20
• http://expedicaovida.com.br/como-fazer-compostagem-em-casa/


Uma coisa legal que aconteceu hoje e inspirou este relato foi observar o pé de mamão que nasceu na composteira. Parte de sua copa (folhas) secou e se voltou pra baixo formando uma espécie de barba no mamoeiro. Usei a "barba: para cobrir o composto também, foi legal, senti o ciclo funcionar muito pertinho.






Se você não tem um quintal que produz folhas pode pedir para teu vizinho que varre o jardim e joga as folhas no lixo. A opção mais urbana são composteiras de plástico que usam minhocas para decompor o lixo, o famoso minhocário. A Morada da floresta comercializa um, confira aqui, e o minhocasa fornece uma apostila de como fazer.

 Observar e sentir os ciclos da natureza proporciona a sensação de conexão, vida.


Wednesday, January 21, 2015

Veggieburguer de quinoa n.02

.dia a dia.

Eis um preparo fácil e que pode ser feito com antecedência.
Um burguer sem carne! Oh yes! O bolinho esférico a base de quinoa é a salvação para você receber aquele seu amigo nada vegetariano pois ele traz aquele tom "sustenta", sem contar que é super fácil de fazer.


























Este aqui eu fiz ontem e dourei hoje. A base é basicamente quinoa, farinha de mandioca e temperos. No livro Comidinhas vegetarianas tem uma receita e algumas pessoas me perguntam porque ele desmonta. O principal motivo é porque a quinoa não foi cozida de maneira adequada para este preparo, a dica master  é cozinhar a quinoa até ficar papa, é a própria quinoa que vai dar a liga básica do teu burguer e a farinha de mandioca a consistência.

Para este preparo você vai precisar:

1 xícara de quinoa bem lavada e escorrida
Farinha de mandioca fina
1 colher de chá de cúrcuma* em pó ou 1 colher de sopa de cúrcuma fresca ralada
Temperos a gosto - usei orégano fresco e ervas de Provance (mix de ervas típico desta região)
Sal
Óleo de coco para dourar

1. Cozinhe a quinoa até ficar papa, escorra bem e espere esfriar.
2. Adicione os temperos, o sal e  a farinha de mandioca aos poucos até ficar com consistência moldável.
3. Molde 10 burguers e doure em um pouco de óleo de coco.

Sugestão: sirva com chutney ou salsa de tomate picante.
Pode ser guardado na geladeira, antes de dourar, por aproximadamente 4 dias.

*A cúrcuma também é conhecida como açafrão da terra.



Sunday, January 18, 2015

Colheita caseira

.quando um jardim dá frutos.


Quando um jardim oferece ingredientes soa liberdade, é bonito imaginar.

Fazem 2 anos tenho registrado parte desta colheita caseira com fotos feitas pelo telefone, as vezes é pouca coisa mas sempre tem algo de bom, no ponto.
Neste verão foi muito agradável pois em um mesmo dia a colheita mostrou variedade. Diferentes frutas  em um mesmo jardim, manga, mamão, lichia, jabuticaba, uva e acerola.


A natureza é mãe.

As uvas reinaram mas já acabaram, sobrou só a foto.



Aliás, quero contar de um preparo que deu um grau na sobremesa de ano novo, um coulis de manga do quintal. Foi assim que o cheesecake de ricota ficou a coisa mais linda.
Coulis é uma espécie de molho encorpado, feito um purê, de frutas ou vegetais, não precisa levar açúcar e pode ser cru ou cozido. Nesta receita é cru, são só as frutas com o gengibre.




Ficou bem amarelinho pois a manga estava madura. É fácil! Só bater tudo no liquidificador:

• 4 mangas maduras
• 1 limão
• 2 cm de gengibre fresco

Tradicionalmente é preciso coar para ficar um molho "fino", mas fica ao teu critério, né?

O coulis é muito utilizado como molho e acompanhamento pois dá um TCHAN no teu prato!



Friday, January 16, 2015

Só hoje!





Aproveito para contar que fiz um instagram para o blog, assim posso te avisar de receitas novas, vai lá @pratodepapel.

Thursday, January 8, 2015

Vitamina dos céus

.quero voar.

Ah! O verão!
Hoje pela manhã experimentei fazer esta delícia de Vitamina, ficou de-lí-cia, visitei as nuvens.



E as gotinhas que caíram do céu? Tem chovido todos os dias e já é o segundo ano novo sem ir a praia. Sou do interior, aqui a chuva é mar.

.delícias de um liqüidificador.


Sunday, January 4, 2015

Lentilhas

.em família.

Sim eu tenho o costume de preparar lentilhas no ano novo e desta vez não foi diferente.
Gosto de cozinhar lentilhas com canela e louro, sinto que ajuda bastante no sabor e principalmente na digestão. Nesta receita usei dois tipos de lentilha, uma comum destas encontradas em supermercado e outra italiana que veio de uma região chamada Casteluccio, onde cultivam uma lentilha muito saborosa e ótima para germinar. Uma vez minha mãe foi fazer uma caminhada por lá e conheceu um italiano que cultivava, quando ele veio pra cá trouxe de presente! Mas você pode usar a variedade de lentilha que desejar, o predominante desta receita é o tempero.

Assim que coloquei a lentilha para cozinhar fui do lado de fora da cozinha e colhi 1 louro por pessoa, no total deu 11 folhas que em seguida foram adicionadas ao cozimento. A árvore de louro é bonita e hoje percebi que somos abençoados em poder ter uma no lado da cozinha. 

Todo o tempero é cozido junto com a lentilha e a gordura adicionamos depois, observe a receita:

Ingredientes

500g lentilha de sua preferência
Água suficiente para cobrir
3 unidades de canela em rama
4 dentes de alho
11 folhas de louro
Sal (usei o Sal de Guérande)

Azeite de Oliva Extra Virgem e azeitonas para finalizar

1. Lave bem a lentilha e escorra, coloque em uma panela, cubra com água e leve ao fogo. 
2. Adicione o louro, a canela, o alho e o sal a gosto, assim que levantar fervura abaixe o fogo e cozinhe até a lentilha ficar al dente. 
3. Se for necessário escorra a água excedente (a minha bebeu toda a água e deu certinho, não precisou escorrer).
4. Adicione as azeitonas e o azeite, mexa bem. Sirva morno ou frio.

Atenção. Este preparo fica excelente no dia seguinte.




Wednesday, December 24, 2014

Por um natal mais leve!

.uma campanha ao além.

Eu não comprei presente pra ninguém, mas já estou fazendo pão!

Escrevo basicamente para lhe desejar leveza, quis desejar essa coisinha boa que estou sentindo, uma brisa de vida, ah! Vai! E também uma receita, quem disse que não?




Acordei com vontade de compartilhar uma receita preparada este ano na aula Jantar Herbal realizada em Floripa. São os Dómates Yemistes, uma receita grega tradicional que consiste em tomates recheados e assados. Yemistá significa rechear e pode ser feito com pimentão, pimenta, abobrinha e outros vegetais. Algumas receitas levam batatas assando junto com o tomate, ainda não experimentei mas deve ficar bom.
Olha o resultado do tomate compondo um prato rústico no jantar da ilha:



É uma receita interessante para uma refeição de preparo antecipado e com mesa montada, os tomates assados dão um ótimo visual e já faz o povo salivar antes mesmo de provar.

Depois de fazer a aula jantar fui direto para uma fazenda orgânica onde tive a oportunidade de preparar um jantar informal para o idealizador da rede Whole Foods,  não eu não tirei foto com ele, mas fiz uma foto dos tomates deste dia ;) Ele não era o principal, mas me serviu de aquecimento para cozinhar. Ai, tenho história para contar, olha ele aí:



Na primeira foto fiz com arroz branco biodinâmico da Volkmann e na segunda com um restinho de arbório que tinha na cozinha dos amigos.

Lá vai a receita:

Dómates Yemistes


10 tomates grandes orgânicos maduros
200 ml azeite de oliva extra virgem
2 cebolas médias picadas fininho
250g (1 1/4 xícara) arroz
Menta fresca
1 colher de sopa de segurelha desidratada
Sal
Pimenta do reino preta moída na hora
1 xícara de água

1. Lave os tomates, corte a tampa e retire toda a polpa, reserve.
2. Faça um purê com a polpa de tomate.
3. Em uma frigideira doure a cebola em 50 ml de azeite até dourar, adicione o arroz e refogue. Adicione o purê de tomate ao refogado e meia xícara de água e assim que ferver abaixe o fogo e cozinhe por 3 minutos. Adicione a menta, e um pouco de sal.
4. Besunte cada tomate com azeite de oliva e recheie com 2/3 do refogado de arroz e disponha os tomates em uma assadeira. Regue cada um com o restante do azeite, salpique sal, pimenta e adicione a água. Tampe os tomates e leve para assar durante 1 hora em forno pré aquecido a 180 graus ou até cozinhar o arroz e dourar o tomate. Se necessário adicione mais água, o arroz deve cozinhar no forno.
5. Sirva com batatas.


Gostaria de agradecer a oportunidade que a vida me deu em poder escrever receitas e compartilhar. Este blog é doação, não ganho nada em troca, se bem que não seria uma má idéia, acho que vou por no pedido.

Monday, December 8, 2014

Jantar a luz de velas

.ou O ninho de pupunha.
*vegan

Segunda-feira passada fui chamada para cozinhar em um jantar, foi bem legal.
O menu foi levemente exótico, vegetariano e com ingredientes orgânicos.

Os convivas eram pessoas criativas, em sua maioria arquitetos.
Coloquei como prato principal a Moqueca alucinógena sem saber que um dos arquitetos, o Paulo, era capixaba. Por sorte a moqueca não levava dendê, afinal o que diferencia a baiana da capixaba é este ingrediente na moqueca. Mas não foi este o prato sensação da mesa, pois é.

Quem foi?

A pupunha assada em ninho de cebola roxa e estragão fresco agradou e superou as expectativas dos convivas. Quer dizer, houve quem gostou do arroz, do burguer de couve flor ou até mesmo do ingrediente exótico da salada, mas foi da pupunha que me pediram a receita.



Te conto agora como preparar a pupunha fresca de maneira fácil e com sabor suave e sofisticado.

Uso na receita um método de cocção chamado escalfado fundo, que consiste basicamente na cocção  de ingredientes delicados sob imersão em um caldo chamado Court bouillon. Eu não fiz o tradicional caldo como pede o figurino mas fiz algo similar com o que tinha na cozinha da Isa:

Caldo alternativo

2,5 litros de água
1 colher de chá de semente de coentro
1 folha de louro
1 colher de sopa de vinagre
1 colher de chá de sal
3 cravos da índia

Cozinhe por 40-60 minutos e em seguida use para a cocção do palmito.


Agora deixe me contar das cebolas que encontrei segunda-feira a tarde. Elas eram orgânicas e ENORMES, criando uma verdadeira cama para a pupunha que ficou acomodada ali como um ninho, por isso o nome da receita ficou O ninho de pupunha.



800g pupunha fresca já limpa
500g cebola roxa orgânica
1 maço de estragão fresco
1 ramo de tomilho fresco
1 pimenta sem semente (sempre uso dedo de moça)
1/3 xícara de azeite de oliva extra virgem
Sal

2 litros de caldo alternativo


1. Corte pupunha em pedaços de 10 cm. Cozinhe a pupunha por 5 minutos no caldo que deve estar a 80 graus durante todo o cozimento, sem ferver.
2. Retire a pupunha do caldo e reserve em um prato.
3. Aqueça o forno a 200 graus.
4. Fatie a cebola fininho, misture com as folhas de estragão, a pimenta picada, azeite e sal. Adicione a pupunha e misture bem.
5. Arrume o preparo em uma forma de barro de forma que a pupunha fique acomodada sobre a cebola. Leve para assar até dourar, cerca de 20 minutos.
6. Sirva quente.

E olha quem acompanhou nosso jantar:


Um molho de pimenta! A receita esta no livro Comidinhas Vegetarianas, editado em 2012 pela Publifolha.

Agradeço a todos que estiveram presentes, foi muito gratificante cozinhar esta noite.

Saturday, November 22, 2014

Aula de cozinha vegetariana no interioR

.comestíveis.

É isso, esta acabando de novo. Já já é natal, ano novo e pronto, carnaval.
Antes disso tudo, deste ciclo mundano rolar, ainda vou dar 2 aulas.

Sim, uma dose de cozinha.

Esta aqui é para quem precisa de uma ajudinha para começar desbravar este imenso universo culinário e também para quem pretende diminuir a marvada carne* do cardápio.

Será em Votorantim, uma horinha da grande SP, e a aula vira jantar. Yes!



Para reservar tua vaga favor enviar um email para pratopapel@gmail.com. 

*A Marvada carne é o nome de um filme cujo ator principal é curiosamente da cidade onde eu nasci.

Bom final de semana!

Monday, November 17, 2014

Ganache de chocolate e menta

.intenso.

Semana passada foi aniversário da minha mãe e fiz bolo surpresa de chocolate. Miam.
A receita da massa do bolo, que sai no próximo livro, tem como base o amaranto ao invés do trigo e combinou super com a cobertura.

A ganache  é basicamente quando diluímos o chocolate em um líquido e o resultado é uma consistência cremosa. Você pode dosar a diluição e obter a cobertura mais mole ou mais dura. Tradicionalmente é usado o creme de leite fresco mas até água pode ser usada, principalmente se busca alguma cobertura ou recheio vegan (sem nenhum ingrediente de origem animal).
Nesta receita optei por uma infusão de menta do jardim para misturar com o chocolate amargo. Procure usar um chocolate de qualidade, leia todos os ingredientes e compre aquele com o menor número de itens. Um bom chocolate tem no máximo massa de cacau, manteiga de cacau, açúcar e baunilha. Se vier escrito gordura vegetal esqueça, e sinto lhe dizer que a maior parte dos chocolates comercializados no país são de péssima qualidade, mas a oferta está melhorando. O sonho dourado são chocolates bem feitos, com cacau orgânico e sem açúcar refinado.

Esta ganache quando esfria adquire uma consistência firme, perfeita para os bolos que pretendem ficar em temperatura ambiente por um bom tempo. Te recomendo o bolo de cacau vegan com esta cobertura.

Olha o Mandioquinha me observando da janela enquanto eu preparava o bolo:



Hipnotizado.

Bom vamos a receita!
Você vai precisar dos seguintes ingredientes para cobrir um bolo:

400g chocolate amargo (60-80% cacau)
250 ml água
1 ramo grande de menta fresca ou 1 saquinho de chá de menta

Em último caso utilize hortelã.

1. Pique o chocolate em pedaços pequenos fazendo lascas, use uma faca afiada e tome muito cuidado para não se cortar.
2. Aqueça a água a 80 graus Celsius ou até formar bolinhas no fundo da chaleira. Adicione a menta, tampe e deixe infusionar por volta de 5 minutos.
3. Retire o ramo da infusão e verta o líquido sobre o chocolate picado, mexa com uma espátula ou fouet até diluir bem, pra quem não sabe:


o fouet

Neste momento o teu bolo já deve estar pronto.
Agora é a hora de esfriar a tua ganache!  Ela deve atingir um ponto bom para cobrir sem escorrer, uma consistência pastosa. Em temperatura ambiente ela pode levar algumas horas,  em lugar frio vai bem rápido e em local quente pode ser que ela não fique firme sem ajuda da geladeira.
Cubra a tua ganache com uma tampa ou papel filme e leve a geladeira. A cada 10 minutos confira e mexa levemente, quando apresentar uma consistência pomada pode cobrir teu bolo. 

Pronto agora é só decorar.

Eu decorei com nibs de cacau e flores do jardim pois minha mãe ama flores e eu acho que fica lindo, mas fique atento pois a flor não pode ser de floricultura, deve ser cultivada sem agrotóxico e de preferência comestível.


Lhe desejo uma uma ótima semana!

Tuesday, November 4, 2014

Frapê de niver

.da série delícias de um liqüidificador.

Ontem antes de dormir lembrei que Ele passou uma semana inteira comigo.
Todos os dias pela manhã fiz sabe o que?

No último dia, logo que acordamos, me perguntou:

- Do que vai ser o frapê de hoje?
- Hmmm - achei engraçado aquele nome.
- É meu niver! Posso escolher?
- Aham!
- Quero manga.

Tinha manga madura e leite de amêndoas pronto, pronto! Bati tudo com sementinhas de cardamomo, banana e lá estava ele, o frapê de niver.
Não tinha como errar, manga com amêndoa e cardamomo é a pura perfeição! A banana foi para dar um volume a mais já que as mangas eram pequenas.

                                           


Mesmo achando que todo mundo sabe fazer o leite de amêndoas as pessoas muitas vezes me perguntam. Aqui no blog sempre indico o leite de castanhas, mas de qualquer forma vou explicar como se faz com amêndoas, na verdade só muda o ingrediente principal.

O primeiro passo é olhar bem para o seu ingrediente, no caso a amêndoa, e enxaguar pois afinal não sabemos como foi sua viagem até aqui.
Depois de lavada deixe sua amêndoa de molho  com água limpa por aproximadamente 6 horas. Eu costumo colocar antes de dormir, assim pela manhã já posso fazer meu leite.

Escorra a água e coloque as amêndoas no liqüidificador com a água. A proporção é com você!


 Eu costumo fazer 1 parte de amêndoa para 3 ou 4 de água pois gosto de colocar o leite nos meus sucos. Se for fazer um preparo que exija maior concentração de amêndoa como um creme ou um molho branco pode fazer na proporção 2:1. Experimente, não tenha medo. Agora é só bater por uns 3 minutos e em seguida coar em um pano de algodão, linho ou voal (deixe um reservado somente para isso), esprema bem para extrair todo o liquído. A polpa pode ser utilizada em outros preparos, aqui te indico 2:


O leite dura uns 3 dias na geladeira e até 2 dias fora se tua casa não for muito calor, na real é sempre bom cheirar antes de usar.

Espero que lhe seja útil, só sei que a culpa toda foi dele! Não é todo dia que estou inspirada para fazer frapês, as vezes uma banana já é o suficiente.




Friday, October 24, 2014

Quer uma receita fácil?

.já liga o forno.

Quando fui  escalada para o preparo destes cogumelos  já era quase a hora do almoço! Quis fazer algo rápido mas que também fosse intenso, então deixei picar.

Usei uma pimenta cultivada pelos índios Baniwa que é bem picante e deliciosa, só uma pitadinha já basta!#%&@! Confira aqui como conseguir.

O preparo dos cogumelos é bem simples!

1 porção de shimeji
1 porção de shitake
1 ramo grande de orégano fresco
1 cebola em meia lua
1 pitada de pimenta baniwa
sal 

1. Não lave os cogumelos, limpe com um guardanapo e descarte a parte mais fibrosa dos talos. Separe o shimeji para ficar mais soltinho e se o shitake for pequeno você pode optar por manter sua forma original.
2. Em uma forma refratária coloque os cogumelos, a cebola, as folhinhas do orégano, a pimenta e regue com um generoso fio de azeite de oliva, misture bem e leve ao forno pré-aquecido até dourar, algo como 15 minutos. Finalize com sal antes de servir.
3. Pronto.


Wednesday, October 22, 2014

Sorbet de banana e puxuri

.da série delícias de um liquidificador.


Receita fácil e delícia feita para o site Comendo com os olhos! Confira aqui.



Monday, September 29, 2014

Creme de manga e cacau

.da série delícias de um liqüidificador.

O jantar estava quase pronto e as visitas estavam chegando,  faltava a sobremesa. Vapt vupt.  Te conto agora a receita fácil que preparei ontem, todos aprovaram!


Creme de manga e cacau

•vegan
•sem glúten


Creme:
2 mangas bem maduras e sem fiapo
5 cardamomos
2 colheres de sopa de semente de chia

Descasque a manga e corte em pedaços, processe no liqüidificador com as sementes de cardamomo até formar um creme, não use água.
Transfira para um recipiente e adicione as sementes de chia, mexa bem para elas não ficarem grudadas.
Preencha pequenas taças com 2/3 do creme e leve para gelar.

Cobertura:
2 colheres de sopa de cacau em pó ou massa de cacau ralada
2 colheres de sopa de açúcar de coco ou mascavo
1 colher de sopa de óleo de coco
2 colheres de sopa de água

Coloque todos os ingredientes em uma frigideira e leve ao fogo. Cozinhe em fogo baixo, sempre mexendo, até formar uma calda brilhante, lisa e encorpada.
Deixe esfriar e finalize por cima do creme de manga. 
Decore como preferir, eu usei canela em pó e raminhos de tomilho fresco